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Esboço # 12

Quando te sentaste ao meu lado, senti o toque acidental do teu braço. Fiquei rígido, talvez um pouquinho ansioso: claro que não há nada mais excitante que um corpo desconhecido; o toque, a possibilidade, a descoberta. E permaneci imóvel, saboreando a tua presença.
O autocarro a avançar, lento; pessoas alheadas e indiferentes. Lá fora: a cidade a deslizar, longínqua. E de repente: começas a chorar; em silêncio, secretamente. Devagar, tão devagar.
Não sei porque o faço: mas estendo a mão e procuro-te.
Mais tarde: largas-me os dedos; depois, levantas-te. Sais: e a cidade continua a deslizar, desinteressada. Levando-te.
Não chegaste a olhar-me.

Esboço # 11

Penumbra e silêncio, o mundo tão distante, indiferente: e uma nova mulher no seu quarto. Estendia a mão, devagar, e tocava: sentindo na ponta dos seus dedos a pele dela.
Depois, despia-a. Devagar, peça a peça; estudava cada pormenor do corpo, com ansiedade e deleite: como se fosse o primeira mulher que via nua perante si. Por vezes acariciava-a, com timidez, quase com reverência; ou aproximava o rosto e observava, atento. Beijava, também: a coxa, o mamilo, o umbigo; mas sem sofreguidão nem impaciência.
Mas quando conhecia detalhadamente o corpo nu e a volúpia da revelação se dissipava, afastava-se delicadamente. Para ele, bastava. O prazer estava, todo, na descoberta de um novo corpo; fodê-lo aborrecê-lo-ia imenso.

Esboço # 10

Foi logo no primeiro dia de férias que, passando os olhos pelas velhas estantes, decidi reler alguns dos livros da minha juventude. Livros de outras férias: amarelecidos e com manchas, cobertos de pó; intocados há tanto tanto tempo.
Fui lendo, dia após dia, livro após livro. Evocando memórias e sensações, revivendo os longínquos dias em que aquelas mesmas linhas me insuflavam de ânimo e sonho, de esperança; de ilusão. Mas agora: apenas nostalgia; e a certeza, chocante, de que o tempo não volta atrás, não pára, não chega.
Os livros de volta às estantes, desordenados. E o Verão: perdido. Gasto.

Esboço # 09

Entro no escritório e digo bom dia; alguém responde, num murmúrio contrariado. Rostos fechados, cabeças cabisbaixas; o silvo dos computadores misturado com os gemidos das cadeiras, com o sussurro das respirações. Ligo o computador e aguardo, sem pressa: mais uma vez, a sensação de que precisa de mais tempo para arrancar, que demora.
No outro dia, senti algo semelhante em relação ao elevador: mais vagaroso, como se estivesse cansado; e também o autoclismo: tanto tempo para encher. Tudo mais demorado; ou serei eu: mais lento em relação à vida? Ou mais impaciente em relação ao mundo?
Com pressa: de quê?

Esboço # 08

Senti algum alívio quando percebi que começavas a desinteressar-te por fazer amor comigo. Já não te aproximavas, não me tocavas, não me beijavas; permanecias no teu canto da cama, imóvel e rígido, respirando devagar; depois: adormecias. E eu ficava um pouco triste; só um pouco, quase nada.
Quando o corpo começou a exigi-lo, experimentei satisfazer-me sozinha. Pensava em ti, fantasiava o teu desempenho; e tocava-me. Na verdade, não te recordava: reinventava-te. De certo modo, continuava a fazer amor contigo; mas de uma forma mais confortável e livre; sim: mais satisfatória.