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Esboço # 20
Apaga a luz; depois, aconchega-se nos lençóis: e a cama range ligeiramente, o que me incomoda um pouco. Os nossos corpos tocam-se, acidentalmente. Suspira, depois boceja; volta a mover-se, os corpos deixam de se tocar. Silêncio pesado e escuro, espesso; apenas ouço o murmúrio das nossas respirações lentas e dessincronizadas: infinitamente distantes. Então, ela ergue-se; aproxima-se de mim, procurando o meu rosto na escuridão; dá-me um beijo nos lábios, breve e fugaz; um beijo de rotina. Não me movo, não reajo. Diz boa noite; respondo com uma vaga resmungadela. Ajeita-se, uma vez mais, preparada para adormecer. Suspira, de novo; e diz – como sempre, como todas, todas as noites: amo-te; voz cansada, tom desinteressado e distante.
Fico a pensar no seu amo-te; pergunto-me: mas que quer ela, afinal, dizer com isso, que significa amo-te? Para que serve dizê-lo? Penso um pouco nisso, de forma inconsequente e alheada, enquanto ela adormece. Uma ideia inesperada surge: talvez um dia lhe pergunte; e sorrio, no escuro. Sim, poderia perguntar-lhe: que queres dizer com isso?
Movo-me um pouco (timidamente?), ajeitando-me para adormecer; e a cama range, o que me desagrada.
Fico a pensar no seu amo-te; pergunto-me: mas que quer ela, afinal, dizer com isso, que significa amo-te? Para que serve dizê-lo? Penso um pouco nisso, de forma inconsequente e alheada, enquanto ela adormece. Uma ideia inesperada surge: talvez um dia lhe pergunte; e sorrio, no escuro. Sim, poderia perguntar-lhe: que queres dizer com isso?
Movo-me um pouco (timidamente?), ajeitando-me para adormecer; e a cama range, o que me desagrada.
Esboço # 19
Foi boa, a foda. Mas gostei especialmente da forma como me acariciaste o cabelo e me olhaste, depois dos orgasmos. Foi um gesto algo peculiar, inesperado: como se estivesses agradecido? Talvez.
Pouco depois, adormeceste. Respiração tranquila, lenta. O teu corpo a tocar o meu, impondo-se um bocadinho; mas sem ser desagradável. Vou pensando nisto – sentindo isto – enquanto ouço a chuva que vai caindo monotonamente, lá fora; e tão forte que está o vento, esta noite. Virá tempestade?
Agrada-me a tua presença, a companhia (e pergunto-me, um pouco envergonhada: será que também me agradaria, se não estivesses a dormir?). Vou fechando os olhos, lentamente; tão bom que é não ter pressa.
Se ainda aqui estiveres, quando eu acordar, talvez te pergunte como te chamas.
Pouco depois, adormeceste. Respiração tranquila, lenta. O teu corpo a tocar o meu, impondo-se um bocadinho; mas sem ser desagradável. Vou pensando nisto – sentindo isto – enquanto ouço a chuva que vai caindo monotonamente, lá fora; e tão forte que está o vento, esta noite. Virá tempestade?
Agrada-me a tua presença, a companhia (e pergunto-me, um pouco envergonhada: será que também me agradaria, se não estivesses a dormir?). Vou fechando os olhos, lentamente; tão bom que é não ter pressa.
Se ainda aqui estiveres, quando eu acordar, talvez te pergunte como te chamas.
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