Prazo de validade expirado.
Esboço # 80
(As duas adolescentes estão sentadas num banco, com os telemóveis na mão; o parque da escola está deserto, como se não houvesse outros alunos por perto.)
ADOLESCENTE 1 (interrompendo o prolongado silêncio num tom apático, olhando fixamente o telemóvel que tem na mão): Sabes qual foi a última coisa que o meu pai me disse?
ADOLESCENTE 2 (depois de abanar a cabeça e percebendo repentinamente que a amiga não a olha; forçando-se a falar): Não.
ADOLESCENTE 1 (incapaz de deixar de olhar o telemóvel): Disse-me para ter paciência mas que só voltava a carregar-me o telemóvel no fim do mês.
(Toca a campainha e ambas estremecem ligeiramente, como se esquecidas de onde se encontravam.)
ADOLESCENTE 1 (tom mais baixo e hesitante que antes): O funeral foi há quatro dias e ainda não tive coragem para pedir à minha mãe para o carregar. (Tom quase lamuriento.) Acreditas que tenho estado este tempo todo sem telemóvel?
(Começam a surgir miúdos de todos os lados, ruidosos e enérgicos, rindo em grupo, correndo; as duas adolescentes permanecem imóveis e silenciosas, talvez com esperança de não serem vistas. Muito tempo depois, a campainha volta a tocar; mas os miúdos levam uma eternidade a abandonar o pátio.)
ADOLESCENTE 1 (interrompendo o prolongado silêncio num tom apático, olhando fixamente o telemóvel que tem na mão): Sabes qual foi a última coisa que o meu pai me disse?
ADOLESCENTE 2 (depois de abanar a cabeça e percebendo repentinamente que a amiga não a olha; forçando-se a falar): Não.
ADOLESCENTE 1 (incapaz de deixar de olhar o telemóvel): Disse-me para ter paciência mas que só voltava a carregar-me o telemóvel no fim do mês.
(Toca a campainha e ambas estremecem ligeiramente, como se esquecidas de onde se encontravam.)
ADOLESCENTE 1 (tom mais baixo e hesitante que antes): O funeral foi há quatro dias e ainda não tive coragem para pedir à minha mãe para o carregar. (Tom quase lamuriento.) Acreditas que tenho estado este tempo todo sem telemóvel?
(Começam a surgir miúdos de todos os lados, ruidosos e enérgicos, rindo em grupo, correndo; as duas adolescentes permanecem imóveis e silenciosas, talvez com esperança de não serem vistas. Muito tempo depois, a campainha volta a tocar; mas os miúdos levam uma eternidade a abandonar o pátio.)
Esboço # 79
(O carro
acabou de parar num semáforo; pessoas atravessam a passadeira, apressadas e
rígidas, robóticas. No interior do carro, ambas as mulheres permanecem em
silêncio, olhando em frente, apáticas e indiferentes, distantes; sós.)
FILHA (tom
mecânico, frio): Estava aqui a pensar, a tentar lembrar-me. (Hesita;
baixa um pouco a voz.) Quando foi a última vez em que me disseste algo
importante? Algo verdadeiramente definitivo e relevante? Algo decisivo para
mim, para a minha vida, para o meu futuro? Algo que fizesse a diferença.
(Após uma pausa, tentando controlar-se.) Quando?
MÃE (olhando
o vermelho do semáforo; tom ligeiramente abstraído, quase indiferente, quase
desinteressado, quase displicente): Não me lembro.
FILHA (pensativa):
Eu também não.
(O semáforo
muda para verde mas a Filha, que está ao volante, não se mexe; ouve-se uma
buzina e depois outra e depois outra.)
Dão-se livros # 08
Desta vez não há desafio, apenas uma provocação; responder à seguinte pergunta: Vale a pena dar-me ao trabalho de enviar um email quando a compensação é apenas um livro? Basta dizer sim ou não. Entre quem se der ao trabalho (até 21 de Março), será sorteado um livro.
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