Statcounter

Leiria, 17 de Abril

A quem não bastarem os argumentos literários, eis os argumentos gastronómicos (cortesia da Lídia):

- Mini muffin de laranja com peru fumado e molho arando
- Caixinhas de milho com ceviche de camarão, manga e lima
- Mini croquete monsieur
- Empadinhas picantes de chouriço
- Biscoito de queijo
- Mini folhado de alheira
- Tranche de café e chocolate com creme de queijo e framboesa
- Bolinhos de coco
- Bolinhos de gema
- Quadrados de chocolate e caramelo
- Muffins de chocolate com ganache
- Fruta

Bom apetite.

Convite


Apresentação de
Chega de Fado
(Deriva Editores)

17 de Abril (Sábado) - 18h

Livraria Arquivo
Com a presença d’ O Gato - Grupo de Teatro
(Encenador: Pedro Wilson)

O convívio (e o lanche / jantar / ceia) continua no
Bar Alinhavar
Para todos os amigos e leitores que queiram aparecer

Arquivo - Av. Comb. da Grande Guerra (Leiria)
Alinhavar - Largo de Infantaria 7 (Leiria)

Um romance!?

Quem sabe...

Esboço # 85

(Ela está na casa de banho, em frente ao espelho, a maquilhar-se; ele aproxima-se e olha-a.)
ELE (tom impaciente): Despacha-te lá, que estamos atrasados. (Afasta-se, sem aguardar uma resposta.)
(Ela suspende o gesto e olha-se ao espelho, apática; depois, sem desviar o olhar do seu reflexo, pousa o batom. E assim permanece, estática, até ele regressar um pouco mais tarde.)

ELE (de novo à porta, irritado): Então?
ELA (tom monocórdico e distante, sem desviar o olhar do espelho, de si própria): Todos os sábados é a mesma coisa, semana após semana após semana. Já reparaste? (Ele olha-a com apreensão.) Jantamos fora, num restaurante que escolhes e onde passo duas horas a mastigar e a sorrir e a ouvir-te. Depois, levas-me a um bar qualquer, onde te exibes fingindo que sabes cantar, sempre as mesmas músicas, porque todos os sítios têm a porcaria dos mesmos cd’s de karaoke; e eu a ver-te actuar, a esforçar-me por rir bem alto, por apresentar gargalhadas, porque sei que é disso que precisas. (Ele continua a olhá-la, agora incrédulo.) Depois, por fim, trazes-me para casa e fodes-me, de forma competente mas desapaixonada e quase indiferente, como se te importasse pouco o meu prazer. (Cala-se e arrasta o silêncio, sabendo que ele não o interromperá; por fim, encara-o e olha-o sem antagonismo ou desafio.) É isto que tens para me dar? Apenas isto? Jantares insípidos, gargalhadas fingidas, fodas de rotina? (Abana a cabeça, triste.) Nada mais? (Ele desvia o olhar.) Porque se é, talvez não valha a pena apressar-me, não achas?

Esboço # 84

(Jantam os três em silêncio, olhando a televisão com apatia, desinteressados em reagir perante o que vêem, o que ouvem, o que sentem. Alguns minutos após todos terem arrumado os talheres, desistindo da refeição, a mulher levanta-se e recolhe os pratos ainda repletos de comida com gestos cansados, conformados; depois, afasta-se, levando consigo a louça.)
CRIANÇA (espreitando a porta, assegurando-se que a mãe não se aproxima; sussurrando, num tom ansioso, quase tenso): Há quanto tempo não dizes à mãe que gostas dela?
HOMEM (alguns segundos mais tarde, sem desviar o olhar da televisão; num tom áspero): Foi ela que te pediu para me perguntares isso?
(A criança não responde, surpreendida com a frieza da reacção, o antagonismo do pai; olha para a televisão com uma expressão triste e desconsolada, talvez com vontade de estar noutro lado qualquer. Pouco depois, a mulher regressa, com passos lentos e indiferentes; coloca uma taça de gelado em frente da criança, surpreendendo-se por ela não sorrir, não agradecer. Senta-se no seu lugar e olha para a televisão, expectante: como se aguardasse que ela lhe transmitisse uma instrução, uma explicação, uma solução; qualquer coisa.)

Esboço # 83

Prazo de validade expirado.

Dão-se livros # 08

Deve valer a pena porque as respostas foram aparecendo; obrigado a todos. Desta vez, o livro segue para a Bárbara.

Esboço # 82

(Estão dentro do carro, tensos e em silêncio, olhando rigidamente pelas janelas.)
PAI (esforçando-se por parecer conciliador): Mas tens que perceber que…
FILHA (interrompendo, num tom rude e irritado): Tu é que tens de perceber que já não sou nenhuma criancinha. Tenho dezanove anos, sou uma mulher. Percebes, dezanove? (Hesita ligeiramente.) Não sou a menina que levavas a passear ao parque e a quem davas gelados, como se isso fosse o gesto supremo de generosidade. (Encolhe os ombros, exasperada.) Cresci, tenho estado sempre a crescer. Como é que não vês isso? Há dezanove anos que cresço, que me afasto dessa imagem idílica e estática que ainda tens de mim. Há muito que não sou a menina do papá ou a adolescente silenciosa. Agora, sou uma mulher, livre e independente e…
PAI (resignado): Eu percebo que…
FILHA (ignorando o pai): Não me apetece ir ao cinema contigo, pai; não me apetece fazer-te companhia, aturar-te, fingir que ainda és o meu melhor amigo. (Respirando fundo, como se tentasse ganhar coragem.) Apetece-me estar com os meus amigos, divertir-me. Apetece-me dançar e rir e beber, perder a cabeça e esquecer-me dos problemas, conhecer gente. Apetece-me ouvir anedotas, fumar gansas; fazer sexo. (Num tom mais baixo, simultaneamente desesperado e provocatório.) Não me interessam parques mas discotecas e praias e bares. Agora, gosto de broches e não de gelados. Percebes?
(Abre a porta e sai, afastando-se apressadamente. O pai olha-a, incrédulo e triste, incapaz de perceber, de assimilar, de reagir. Tentando decidir qual a palavra que doeu mais; broches? Aturar-te? Livre? Ou talvez dezanove?)