Sempre foi um terapeuta atento e delicado; trabalha com cada um dos seus pacientes de forma a contribuir para a superação das angústias e dores que trazem consigo. Auxilia-os da melhor forma que sabe, estimulando-os a que percebam por si próprios as causas dos seus sofrimentos e as melhores estratégias de superação. Sabe que a sua função não é apresentar soluções, mas acompanhar cada paciente no seu próprio percurso em busca de uma possibilidade de resolução. Acompanha - presença efectiva, solidária; mas também desafiante, se necessário - o percurso feito por cada um; perante cada sucesso ou fracasso, está sempre presente. E assim aprende o que pode ser eficaz ou não; como se o seu consultório fosse, afinal, um laboratório; um local de exploração e teste, de aprendizagem. Se um dia tiver alguma daquelas dores ou angústias, poderá (talvez) aplicar em si o que aprendeu com os seus pacientes; como se, afinal, fossem eles o terapeuta. Como se eles, ao percorrerem os seus itinerários individuais de superação únicos e diferenciados, compusessem um mapa de caminhos e rotas possíveis; um mapa onde são assinalados atalhos e becos sem saída, locais de interesse ou a evitar, postos de abastecimento ou de refúgio. Um mapa precioso a cuja composição assiste dia após dia, maravilhado com a cartografia das emoções que é desenhada perante si. Agradecido aos seus pacientes por lhe mostrarem que é possível navegar entre as emoções humanas (essa selva fulgurante e misteriosa); e não se perder.