Duas plantas com pouco juízo (VI)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Voltei a ter um pesadelo em que já não era uma planta decorativa. Desta vez era uma alface e alguém me comia com filetes e arroz branco. Ainda estou a tremer, não vês?» E riam.