Duas plantas com pouco juízo (XX)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Já pensei que seria engraçado se fôssemos como as pessoas, que gostam de se distinguir e valorizar em função dos carros que têm. As plantas podiam fazer o mesmo, só que com regadores.» E riam.