Duas plantas com pouco juízo (XXV)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo, uma dizia: «O assunto do suicídio é meio tabu entre as plantas, não achas?» A outra respondia: «Por mim, não tenho problema nenhum em assumir que se alguma vez tiver uma doença sem cura, mato-me. Ah pois. E faço tal e qual as pessoas: enforco-me numa árvore. Zuca, acabam-se os problemas.» E riam.