Duas plantas com pouco juízo (XXXI)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Uma das coisas que mais adoro em ser planta é que posso estar as vezes que me apetecer com tesão que ninguém nota só de olhar para mim.» E riam.