Duas plantas com pouco juízo (XXIX)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Sabes qual é a última da minha prima? Teima que está muita gorda, diz que já nem consegue olhar para as próprias folhas. Anda a ver se consegue que um médico lhe passe uma receita de ozempic.» E riam.