As pessoas chegam e acomodam-se confortavelmente no parque escuro e tranquilo. Olham as estrelas e permanecem em silêncio. Por vezes, alguém fala: conta uma memória pessoal. Todos os outros escutam. Depois, outra pessoa fala: também conta uma memória pessoal. Costuma haver uma brisa a balancear entre as árvores, há diversos cheiros da natureza que a maioria das pessoas que ali estão não consegue identificar. Mas ninguém fala disso, nem da brisa nem dos cheiros, limitam-se a partilhar memórias. Verbalizam-nas, e elas permanecem ali sob as estrelas durante algum tempo; suspensas, vulneráveis, livres. Trouxeram-nas à rua, tal como outras pessoas passeiam cães noutros parques.