Duas plantas com pouco juízo (XXVIII)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Detesto aquelas plantas que ficam todas histéricas quando lhes cai uma folha e ligam logo para o 112. É lidar, amigas, é lidar.» E riam.

Duas plantas com pouco juízo (XXVII)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Já acabei um relacionamento porque ele tinha vergonha de andar comigo na rua de ramos dados.» E riam.

Duas plantas com pouco juízo (XXVI)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Nem que fosse só uma vez na vida, mas gostava de experimentar fazer sexo na horizontal.» E riam.

Duas plantas com pouco juízo (XXV)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo, uma dizia: «O assunto do suicídio é meio tabu entre as plantas, não achas?» A outra respondia: «Por mim, não tenho problema nenhum em assumir que se alguma vez tiver uma doença sem cura, mato-me. Ah pois. E faço tal e qual as pessoas: enforco-me numa árvore. Zuca, acabam-se os problemas.» E riam.

Duas plantas com pouco juízo (XXIV)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Conheces a estória da planta que mandou colocar um espelho no quarto para conseguir ver-se a crescer?» E riam.

Duas plantas com pouco juízo (XXIII)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Conheci uma planta que gostava tanto de animais que não descansou enquanto não adoptou um cão. E sabes o que aconteceu? Um dia, o cão comeu-a.» E riam.

Duas plantas com pouco juízo (XXII)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «No último encontro que tive, apareceu-me um palhaço com uma caixa de preservativos. E eu a pensar: mas que raio, vais pôr um em cada ramo?» E riam.

Duas plantas com pouco juízo (XXI)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Na minha última morada, meteram-me ao lado de uma planta super exótica. Apaixonei-me logo. Claro que fiz tudo o que pude para lhe captar o interesse, mas nada. Zero reacções. Levei uma semana a perceber que era a merda de uma daquelas plantas de lego que as pessoas agora compram.» E riam.

Duas plantas com pouco juízo (XX)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Já pensei que seria engraçado se fôssemos como as pessoas, que gostam de se distinguir e valorizar em função dos carros que têm. As plantas podiam fazer o mesmo, só que com regadores.» E riam.

Duas plantas com pouco juízo (XIX)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Não entendo esta mania que as pessoas cá de casa têm de serem tão ruidosas quando fazem sexo. Confesso que me parece tão irritante como o barulho do aspirador aos sábados de manhã, na verdade nem consigo distinguir uma coisa da outra.» E riam.

Duas plantas com pouco juízo (XVIII)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Uma vez, fui abandonada num encontro. Tivemos uma briga feia e o idiota largou-me mesmo ali na berma da estrada, acreditas? Foi uma chatice arranjar boleia para casa, quem passava por mim pensava que eu estava ali plantada.» E riam.

Duas plantas com pouco juízo (XVII)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Tenho medo de morrer de repente, antes de ter tempo de fechar a sessão do email. Já viste, todas aquelas dickpics que me enviaram acessíveis a qualquer pessoa?» E riam.

Duas plantas com pouco juízo (XVI)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Sabes uma coisa que me irrita no instagram? Que para dizer que gostamos de algo tenhamos de carregar no coração. Que coisa mais auto-centrada das pessoas, como se o coração fosse o símbolo universal do amor. E para quem não tem coração, como nós? Devia haver um instagram em que o símbolo de gostar fosse uma folha, não achas?» E riam.

Duas plantas com pouco juízo (XV)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Estás a ver aquelas plantas que vivem no exterior, lá em baixo? Adoro ver quando o cão dos vizinhos lhes mija em cima.» E riam.

Duas plantas com pouco juízo (XIV)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Devia deixar de ir à psiquiatra. Qualquer coisa de que me queixe, ela diz sempre que é falta de rega.» E riam.

Duas plantas com pouco juízo (XIII)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Quando estou triste, sabes o que faço para rir? Imagino duas orquídeas a dançar tango.» E riam.

Duas plantas com pouco juízo (XII)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Lá está outra vez o garoto a chutar a bola contra à parede, agora vai ficar naquilo durante horas. Quando vejo estes comportamentos das pessoas, lembro-me sempre dos dinossauros: muito espalhafato, mas tão limitadinhos da cabeça, coitados.» E riam.

Duas plantas com pouco juízo (XI)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Penso que também deviam existir cemitérios para plantas. E depois íamos visitar lá os nossos familiares e levávamos pessoas mortas para decorar aquilo, tal como as pessoas levam flores e plantas mortas para decorar os seus cemitérios. Que achas?» E riam.

Duas plantas com pouco juízo (X)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Estou a sentir-me meio sem graça, acho que preciso de algo que me faça sentir um pouco mais sexy. Conheces algum bom tatuador?» E riam.

Duas plantas com pouco juízo (IX)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Gostava mesmo que me rodassem o vaso antes do fim do Verão. Assim, vou ficar com um daqueles bronzeados à pedreiro.» E riam.

Duas plantas com pouco juízo (VIII)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Nunca percebi bem qual o encanto de fazer sexo oral, chamem-me conservadora que não me importo.» E riam.

Duas plantas com pouco juízo (VII)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Até que enfim que chegou o Outono. Sempre quis ver aquela árvore nua.» E riam.

Duas plantas com pouco juízo (VI)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Voltei a ter um pesadelo em que já não era uma planta decorativa. Desta vez era uma alface e alguém me comia com filetes e arroz branco. Ainda estou a tremer, não vês?» E riam.

Duas plantas com pouco juízo (V)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «No outro dia, li um artigo em que explicavam que há cada vez mais plantas a optarem por depilação laser integral. Para afastar os insectos, sabes?» E riam.

Duas plantas com pouco juízo (IV)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Há um aspecto em que me sinto mais árvore do que planta: tenho montes de fantasias com bombeiros.» E riam.