Ideias registadas em cadernos e que ainda não serviram para nada (LVI)

Ao fim do dia sentava-se no velho cadeirão, ao lado da sua árvore preferida, e contemplava o horizonte longínquo. Nunca se cansava de olhar, regressando ao que já conhecia ou descobrindo novos detalhes na paisagem; desconfiava que só fazia sentido olhar quando o que se via pudesse ser complementado pela imaginação. Até que um dia o horizonte se aborreceu de tanta contemplação e lhe disse: «Pára de olhar e faz alguma coisa. Mexe-te, caralho.»