Duas plantas com pouco juízo (LVII)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Não tenho qualquer problema em assumir que já fiz algumas intervenções estéticas. Um enxerto aqui, outro ali; qual o problema? Vergonha é ter ramos flácidos.» E riam.