Regressava ao escritório depois do almoço quando se cruzou com um cão. Olhou-o durante uns instantes, curioso e interessado; e como o cão se afastava, decidiu segui-lo. Foram andado ao acaso, sem destino aparente. Separados, mas próximos. Tentava perceber a lógica do percurso, intuir os objectivos, antecipar possíveis direcções. A meio da tarde, o cão instalou-se debaixo de uma árvore e adormeceu de imediato; ficou a vê-lo dormir durante um bocado, com pena de não poder fazer o mesmo. Mas quem determinara que não podia fazer o mesmo? Sentou-se à beira do cão e recostou-se na arvore. Escutou o suave ressonar do seu companheiro; estudou a rota do sol e calculou que teria pelo menos uma hora de sombra. Acordou com fome.