Ele sabia. Poucos sabiam, e ele era um deles. De noite, enquanto dormia, a alma saía do seu corpo, como se fosse dar um passeio. Isso das almas abandoarem o corpo para fazer turismo era estória antiga, do conhecimento de toda a gente. O que poucos sabiam, e ele era um deles, é que não se tratava de turismo. Não, nada de devaneios ao acaso ou passeios higiénicos. As almas iam aprender, como se fossem à escola; encontravam-se com outras almas, e escutavam os ensinamentos das almas doutoras. Aprendiam, e depois regressavam a casa. Isso era o que poucos sabiam, e ele era um deles. Aquilo a que se chama sonhar era, afinal, aprendizagem.