Duas plantas com pouco juízo (III)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Sabes, posso parecer espalhafatosa e tal, mas no fundo sou bastante reservada. Só partilho a humidade da minha raiz com quem realmente amo.» E riam.