Duas plantas com pouco juízo (IV)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Há um aspecto em que me sinto mais árvore do que planta: tenho montes de fantasias com bombeiros.» E riam.