Ideias registadas em cadernos e que ainda não serviram para nada (LXXXIV)

Tinham sido felizes durante alguns anos. Depois, deixaram de o ser. Foi um divórcio tranquilo, sem atropelos nem complexos. Decidiram continuar a encontrar-se com alguma regularidade por causa dos filhos; pelo menos uma vez por mês, juntavam-se e partilhavam novidades sobre as crianças, que depois se tornaram adolescentes, que depois se tornaram jovens adultos. Claro que nunca tinham tido realmente filhos, ambos eram inférteis; mas imaginaram-nos. E depois alimentaram a imaginação, até quase acreditarem que aquelas crianças (e depois aqueles adolescentes, e depois aqueles jovens adultos) realmente existiam.