Duas plantas com pouco juízo (XLVIII)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo, uma dizia: «Qual foi o maior disparate que fizeste na tua juventude?» A outra respondia: «Envolver-me com um cacto. É verdade que se mantinha sempre rijo, mas só deus sabe o que sofri.» E riam.