Duas plantas com pouco juízo (XIV)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Devia deixar de ir à psiquiatra. Qualquer coisa de que me queixe, ela diz sempre que é falta de rega.» E riam.