Duas plantas com pouco juízo (XXXVII)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Sabes qual é a última da minha prima? Como não está a lidar bem com a idade, fez uma cirurgia plástica; livrou-se de algumas folhas velhas e substituiu-as por folhas de plástico de aspecto jovem e saudável.» E riam.