Duas plantas com pouco juízo (XXII)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «No último encontro que tive, apareceu-me um palhaço com uma caixa de preservativos. E eu a pensar: mas que raio, vais pôr um em cada ramo?» E riam.