Duas plantas com pouco juízo (XV)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Estás a ver aquelas plantas que vivem no exterior, lá em baixo? Adoro ver quando o cão dos vizinhos lhes mija em cima.» E riam.