As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Sabes uma coisa que me irrita no instagram? Que para dizer que gostamos de algo tenhamos de carregar no coração. Que coisa mais auto-centrada das pessoas, como se o coração fosse o símbolo universal do amor. E para quem não tem coração, como nós? Devia haver um instagram em que o símbolo de gostar fosse uma folha, não achas?» E riam.