Duas plantas com pouco juízo (XXXVI)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Sabes qual é a última da minha prima? Anda obcecada com a ideia de poder morrer e ninguém notar. Uma planta pode morrer e demorar semanas até que alguém note, lamenta-se ela a choramingar. Então lembrou-se de instalar uma sirene no vaso, para poder tocar quando estiver a morrer.» E riam.