Quando a borboleta viu pela primeira vez um arco-íris ficou sem reacção. Pareceu-lhe algo mágico e sublime, proporcionando-lhe uma experiência inédita que a elevou a um estado místico de profunda paz e serenidade. Demorou algum tempo a recuperar desse estado orgástico, depois do arco-íris desaparecer. E logo quis repetir a experiência. Tentou recuperar todos os pensamentos que tivera e todos os gestos que executara imediatamente antes da visão ocorrer; depois, fixou-os um a um na sua memória pela ordem que lhe parecia a certa, de forma a poder reproduzi-los com exactidão. Foi o que passou o resto da vida a fazer: repetir ritos para encontrar o transcendente.