Ideias registadas em cadernos e que ainda não serviram para nada (LXXXVII)

Marcel lutava contra o tempo, adivinhando a proximidade da morte. Passava as madrugadas debruçado nos seus cadernos, obsessivo, acrescentando palavras ao sétimo e último capítulo da sua obra; chamar-lhe-ia O Tempo Reencontrado. Encerrado no seu casulo de cortiça, protegido do mundo, vivia para a escrita; e escrevendo, vivia. Até que numa cinzenta tarde de Novembro (sentia-se o vento a libertar-se, a chuva não tardaria: os pássaros anunciavam-no) aconteceu o inesperado: recebeu um convite para comparecer num festival literário.