Ideias registadas em cadernos e que ainda não serviram para nada (XXXI)

Acordo a pensar em ti. Talvez por ter sonhado contigo, apesar de não conseguir recordar; mas deverá ter sido um sonho intenso. Levanto-me e tomo banho; durante todo esse tempo, penso em ti; percebo como sinto saudades tuas, como me apetece ouvir-te. Depois de me vestir, pego no telefone e ligo-te. Está desligado. Como alguma coisa, bebo um café. Volto a tentar ligar. Desligado. Subitamente, tomo consciência do absurdo do meu comportamento. Morreste há três semanas e meia. Continuo com o telemóvel na mão; olho para ele, sem saber o que lhe fazer. Pergunto-me, estupidamente, o que terá acontecido ao teu telemóvel; porque raio ninguém o carrega, porque não o mantêm vivo? Sinto saudades tuas, apetece-me ouvir-te.