Ideias registadas em cadernos e que ainda não serviram para nada (XXVII)

Procurava uma relação estável e plena; e para isso faria o que fosse necessário. Homens que lhe eram apresentados por amigas, homens que captavam o seu interesse nas redes sociais, homens que conhecia em sequência de contactos de trabalho, homens com quem se cruzava nas aplicações de encontros: se o seu instinto os sinalizava como potencialmente interessantes, aceitava marcar um encontro. Sempre no mesmo local, um restaurante acolhedor onde se sentia em casa. Sempre com a mesma disponibilidade para se encantar. Falava, ouvia, ria; não se incomodava com os silêncios. Havia momentos em que se divertia, havia momentos em que se entediava. Mantinha sempre a mente aberta, o espírito receptivo. Apenas tinha uma regra: os jantares duravam três horas; e se durante esse período o homem com quem estava não pronunciasse pelo menos uma vez, por sua iniciativa, a palavra "amor", despedia-se e cortava de forma paremptória qualquer possibilidade de contacto futuro. Três horas, nem mais um minuto.