Duas plantas com pouco juízo (LIII)

As duas plantas permaneciam no seu canto há meses. Não se queixavam porque viviam perto da janela e podiam olhar para o exterior, ver as nuvens que passavam, espreitar a lua cheia. Estavam quase sempre em silêncio, mas por vezes diziam coisas uma à outra. Por exemplo: «Sabes qual é a última da minha prima? Viu no instagram que oferecem viagens aos escritores para irem ao Brasil e agora também quer ser escritora. Só numa semana escreveu sete romances com inteligência artificial, mas ainda não a chamaram.» E riam.