Ideias registadas em cadernos e que nunca serviram para nada (VII)

Uma pessoa descobre por acaso que em criança foi hipnotizada a pedido dos pais, tendo-lhe sido implantadas memórias falsas. Não sabe quais, nem quantas. Percebe que a sua personalidade se desenvolveu a partir de experiências e memórias de infância não fiáveis; baseada em mentiras. Porque fariam os seus pais tal coisa? Odeia-os pelo que fizeram e por apenas o ter descoberto após a sua morte, e não os poder confrontar. Questiona toda a sua vivência, assente numa personalidade condicionada por falsidades, sendo forçada a reconhecer que a sua vida tem sido equilibrada e feliz. Uma vida bastante feliz, na verdade. Terão os pais, com a sua monstruosidade, contribuído de forma definitiva para a sua felicidade? Teria sido tão feliz sem as memórias falsas?