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Galeria # 02



Alberto Sughi - Due donne, Notturno

As duas mulheres têm um olhar estranhamente fixo e vazio, distante; não se movem, como se temessem captar a atenção de alguém, ou como se receassem revelar que, afinal, estão vivas. Mantêm-se alheadas, indiferentes ao ruído do bar, às gargalhadas, à nuvem de fumo que talvez as sufoque ligeiramente.
E a noite avança, vagarosa. Uma delas puxa o vestido, ajeitando o decote; a outra olha a sua companheira sem curiosidade nem interesse, cruza os braços em cima da mesa. Passam dois homens, ambos carecas, rindo alto; eles não as olham, elas também não. Há outras mulheres, noutras mesas: também à espera, ajustando os seus vestidos; e homens: quase sempre rindo alto, talvez rindo com tristeza; quem sabe o verdadeiramente significado de um riso, afinal? Um ruído confuso e caótico, difuso, quase ensurdecedor: a envolver tudo, todos. Unindo.
Inesperadamente, uma das mulheres suspira baixinho, quase com vergonha. A outra diz, num tom cansado e absorto: é esse o barulho que a alma faz, quando se lamenta; e durante um breve instante, parece que vai sorrir; mas não o faz.
Muito tempo depois, uma das mulheres puxa o vestido e ajeita o decote.