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Legenda # 07: Parem e gostem

(Escrito a partir de uma fotografia de Rute Violante)

01.
Quem visse o velho pensaria que estava simplesmente à espera que a morte chegasse; mas a verdade é que ninguém olhava, as pessoas continuavam a passar – apressadas, sempre muito apressadas – e nunca olhavam, como se estivessem demasiado ocupadas com os seus problemas e pressas para repararem na morte de alguém. Afinal, se reparassem no velho e pensassem que estava à espera da morte, iriam afirmar, displicentes e um pouco arrogantes, que todos estamos à espera da chegada da morte, que é esse o propósito da vida: prepararmo-nos para morrer; diriam, também, que os velhos têm bastante mais sorte do que todos os outros porque estão melhor preparados, tiveram mais tempo para se preparar. Sim, as pessoas que passavam poderiam dizer algo do género: e nem estariam a tentar ser irónicas; di-lo-iam sem se interromperem ou se desviarem do seu trajecto, sempre em andamento, porque parar é morrer e a ironia é só para quem tempo.
Portanto, lá estava o velho sentado a uma das mesas do parque. Era aí que passava as suas manhãs, com o riozinho a deslizar por trás e as folhas de árvore amarelecidas a caírem em seu redor, como se fossem flocos de neve defeituosos que nenhuma criança quisesse pegar. O facto de escolher uma mesa, e não um dos banquinhos de jardim onde todos os outros velhos se sentavam, era peculiar; uma mesa de piquenique, habituada a reunir famílias sorridentes e tagarelas e não a servir de sala de espera de casa mortuária, de antecâmara de cemitério; porque a escolheria ele? Talvez fosse, simplesmente, um convite lançado ao mundo, um desafio a quem passava; uma mesa é quase sempre um objecto social, supõe-se que seja usada para fazer algo com outra pessoa, que implique e proporcione uma partilha, que aproxime e una. O que significaria que o velho ainda não estava decidido a ceder, que ainda lutava e resistia, que até poderia estar atrasado para o seu próprio funeral mas não se resignava, não renunciava à vida (ou seja: era teimoso); a escolha da mesa seria, portanto, um simples pedido de companhia – como quem coloca uma mensagem no facebook: parem e gostem. Poder-se-ia, por outro lado, pensar que o velho, antes de ser velho, tivesse feito naquela mesma mesa muitos piqueniques com a sua família sorridente e tagarela, uma família que entretanto fora sorrir e tagarelar para outro lado qualquer, deixando-o só com as suas memórias e reminiscências, com a sua espera resignada; estaria, então, ele a despedir-se da sua vida, regressando a um local onde fora feliz? Já se sabe, os velhos vão para o parque porque têm medo de morrer em casa, sozinhos; mas esquecem que há algo mais triste do que morrer na solidão completa, que é morrer no meio da indiferença e apatia e desinteresse de uma multidão, entre a gente que passa e nem olha. Esquecem que muito pior do que a solidão completa é a solidão acompanhada; ou talvez não esqueçam, talvez queiram apenas experimentar uma solidão diferente, para variar.
Fosse qual fosse o motivo, lá continuava manhã após manhã, silencioso e apático, imóvel, quase morto. Talvez pensasse: “que triste é ser apenas parte do cenário.” E se tivesse um neto ali a jeito, fazendo-lhe companhia, talvez lhe dissesse num tom conformado: “todos gostaríamos de ser protagonistas de qualquer coisa mas durante a maior parte do tempo somos um simples pormenor no cenário, um detalhe em que os verdadeiros protagonistas nem sequer reparam.” E o neto, desatento e desinteressado, perguntaria: “quê?” Mas como não havia nenhum neto por perto, permanecia calado. Havia pessoas a passar, mais mulheres do que homens, caminhando com rapidez e destreza, com elegância, um pouco tensas e ansiosas, como se temessem que os empregos lhes fugissem; ou que a própria vida lhes fugisse, que estivesse lá mais à frente, já à saída do parque, e fosse imperativo apanhá-la antes que fosse demasiado tarde; pessoas com receio de estarem atrasadas em relação à sua própria vida. Dentro de algum tempo os escritórios e as repartições e as lojas estariam a abarrotar de funcionários e assistentes e auxiliares, não haveria mais ninguém a atravessar o parque (era estranho mas ninguém passeava naquele parque) até que fosse hora de almoço e todos regressassem, fazendo o percurso inverso. E durante todo esse tempo, o velho ali estaria; sozinho e à espera.
Ou talvez não. Na verdade, nunca estava verdadeiramente sozinho quando se encontrava no parque; acompanhava-o a natureza. Porque o velho sentia uma enorme empatia com a natureza que o rodeava e envolvia, com as árvores e as folhas amarelas pisadas e os passaritos esvoaçantes, com o riacho e o céu distante e o cheiro a verde misturado com o cheiro a cinzento,  com as formigas que transportavam pedaços de casca de árvore, com o sopro do vento e as minúsculas ilhas de relva que contrariavam a supremacia descolorida do outono, com a neblina que costumava desaparecer por volta das dez menos um quarto, com as manchas de humidade da chuva, com o cheiro ténue das árvores e que sempre o remetia para a infância. A natureza também nunca protagonizava nada, também era forçada a cumprir função de simples cenário; e o velho identificava-se com isso. Claro que, por vezes, invejava a natureza: afinal, todos os homens – mesmo os protagonistas; especialmente os protagonistas – acabariam por desaparecer, por serem esquecidos; mas a natureza, mesmo sendo mero cenário, permaneceria, renovando-se eternamente. Claro que o velho, apesar de solitário e silencioso, não era imbecil: sabia muito bem como era absurdo sentir inveja da natureza; e dizia a si próprio que tais pensamentos – na verdade, todos os seus pensamentos – serviam apenas para passar o tempo.
E a verdade é que ele lá ia passando, o tempo.

02.
O que aconteceu foi isto: ontem, estava o velho sentado à mesa de piquenique a observar como a suave brisa arrumava em montinhos as folhas de árvore espalhados pelo chão, com aparente arbitrariedade e displicência – pensando distraidamente: se deus existisse, seria uma espécie de vento; nada mais que isso, apenas vento –, quando uma mulher, apressada e absorta como todas as outras, se desviou inesperadamente do seu trajecto habitual e se aproximou do velho; mas não só: sorriu-lhe; mas não só: falou-lhe. Ou seja: algo inopinado e totalmente novo acabara de acontecer. Uma protagonista reparara no cenário, interagira com o cenário; e o cenário ficou surpreendido, sem saber como reagir. Poderia apenas ter sorrido mas não se lembrou disso; olhou-a, simplesmente, à espera. Ela disse: “raio de tempo.” E logo depois: “olhe, não me arranja um cigarrinho?” O velho não fumava há trinta anos; mas, naquele momento, arrependeu-se profundamente de ter deixado de fumar; se não o tivesse feito, teria o habitual maço de cigarros no bolso do casaco, junto ao coração; e não só lhe daria um cigarro como lho acenderia com o seu próprio isqueiro, ficaria a vê-la soprar a primeira nuvem de fumo.
Abanou a cabeça e baixou o olhar; poderia também ter encolhido os ombros mas pareceu-lhe que isso seria excessivo. Ela percebeu e sorriu, disse: “é pena.” E depois: “há quanto tempo deixou de fumar?” E ele respondeu, apenas um pouco surpreendido com a pergunta: “trinta anos.” “Chiça,” disse ela, “ainda eu nem tinha nascido.” E ficaram a olhar um para o outro. Durante um breve instante, o velho pensou que ela poderia sentar-se e ficar ali a conversar durante um bocado, a ouvi-lo recordar como eram os cigarros de há trinta anos; pensou como seria revigorante senti-la momentaneamente interessada em si, nas suas palavras e nas suas histórias, na sua existência de cenário. Seria ainda capaz de provocar o riso de uma mulher jovem e bonita? Já nem se lembrava da última vez em que isso acontecera, em que isso fora possível. Mas se conseguisse, de que serviria isso? De que serve o riso de uma mulher jovem e bonita a um velho decadente e solitário? Na verdade, pensou o velho, o riso existente no mundo é limitado, escasso, precioso; para que alguém ria, outra pessoa terá que ficar triste, é necessário que ocorra uma transferência de sentimento; apenas os ingénuos ou os idiotas acreditam que o riso surge do nada, do vazio, como se fosse algo miraculoso; ou pior, que é contagioso, que se reproduz e multiplica indefinidamente. Não: até o riso é ciência. O velho sabe que o riso tem sempre um preço, sabe que a única forma de fazer aquela mulher rir seria abdicar do seu próprio riso, oferecendo-lho; ou seja: ficar mais triste. Sabia isso e, ainda assim, estava disposto a fazê-lo, gostaria de o fazer: oferecer-lhe riso, já que não tinha cigarros para lhe dar. Mas não sabia como, já não se lembrava como se fazia. Ou pior: talvez já não possuísse riso em si.
É possível – improvável mas possível – que a mulher tenha sentido uma momentânea tentação de suspender a sua rotina, de interromper a previsibilidade do seu dia, e ficar por ali durante alguns minutos, acompanhando aquele velho solitário na sua mesa rodeada de folhas amarelas. Perguntar-lhe como eram os cigarros de há trinta anos, por exemplo; podia perguntar-lhe isso. E talvez ele se tornasse falador, talvez desviasse o olhar do chão. Custava-lhe muito que um velho olhasse para o chão pois parecia-lhe que quando isso acontecia o velho estava, afinal, a espreitar o seu próprio futuro e a conformar-se com a iminência do seu destino próximo, que era ser enterrado na terra e apodrecer devagarinho. Os velhos deviam olhar para o céu e não para o chão, era o que ela pensava; olhar para o céu e pisar a terra com força, caminhando em frente. E se o velho falasse sobre os cigarros de há trinta anos talvez se entusiasmasse um pouco e desviasse o olhar do seu destino, esquecendo-o. O problema é que estava atrasada; atrasada e a precisar de um cigarro. Por isso, disse: “bom, trinta anos é mesmo muito tempo.” E afastou-se, depois de lhe acenar – um aceno de garotinha, na verdade –, retomando o seu caminho, conformando-se ao seu destino.
O velho ficou a vê-la afastar-se, desaparecendo ao longe entre as outras pessoas que atravessavam o parque; subitamente, perguntou-se há quanto tempo já não tinha um pensamento de natureza sexual e, logo de seguida, perguntou-se porque diabo estaria a pensar tal coisa. E então sorriu, lembrou-se de sorrir; era o que deveria ter feito de imediato, mal a mulher se aproximara, mas só agora se lembrava de o fazer. Sorriu. Não fazia mal, pensou; sempre fora um defeito seu, sorrir demasiado tarde. De qualquer forma, percebeu que ainda conseguia sorrir. E é sempre espantoso, quando o cenário percebe que pode sorrir.

03.
Por vezes, quando está em casa, sozinho e rodeado de silêncio, a olhar para as paredes que já foram brancas, o velho pensa no parque e sente saudades do amarelo das folhas, do amarelo pelo ar e do amarelo pelo chão, do amarelo everywhere; sente saudades de muito, de tudo, mas especialmente do amarelo; lembra-se do murmúrio do riozito, do cheiro do ar livre que é tão diferente do cheiro do ar do seu quarto, da suavidade da madeira molhada da mesa de piquenique quando lhe toca com a ponta dos dedos. Pensa no parque sem pessoas nem movimento, pacífico e acolhedor, convidativo; como se fosse um cenário pronto a ser usado. Quase consegue visualizar o parque como se fosse uma pintura, que depois pendura no cinzento das suas paredes e para onde olha como se olha para uma janela, através de uma janela. Olha para o cinzento que já foi branco pensando em amarelo e quase consegue ouvir o rumor do rio, aquele som quase imperceptível que fazem os peixitos quando se agitam na água; e também a melodia repetitiva dos pássaros, cantando para nada, apenas porque sim. Quase consegue ouvir.

04.
Hoje o velho traz um maço de cigarros e dois isqueiros; comprou tudo logo pela manhã, na tabacaria da esquina, custando-lhe o devaneio o equivalente a três semanas de euromilhões; teve que aguardar mais de meia hora pela abertura da tabacaria e quase desistiu. Senta-se no sítio do costume e espera; não lhe custa muito esperar porque isso é, afinal, aquilo que os velhos melhor fazem, a vida serviu-lhe para pouco mais do que ensinar a esperar. Mas sente uma dor na perna e isso é algo desconcertante: essa não é uma dor comum e, portanto, não tem remédios para ela; terá que ir ao centro de saúde, e depois à farmácia. Não é mais uma dor que o incomodará demasiado mas sente-se um pouco aborrecido, descobrir uma dor nova é sempre irritante; há dores tão antigas e persistentes que se habituou a elas, são uma espécie de companhia, de distracção, de entretenimento. E as novas dores, quando chegam de surpresa, vêm distraí-lo um pouco dessa distracção. Esta coisa nova na perna, que apareceu durante a noite, parece não ser algo passageiro ou pontual; vem para ficar e, portanto, terá mesmo que ir passeá-la ao centro de saúde. Pior do que ter que suportar as dores é não ter ninguém com quem falar sobre elas; de que serve sentir dor se não nos podemos queixar dela a alguém que se interesse, se não a podemos usar para obter atenção e ternura dos outros? Afinal, a doença não servirá apenas para isso? Para nos colocar momentaneamente no centro do mundo? Irá portanto ao centro de saúde.
Pensa: “foda-se, que envelhecer é tão triste.” E, incapaz de não o fazer, vai pensando nas perdas que foi acumulando; tenta recordar a última vez em que correu numa praia, a última vez em que andou de bicicleta e a última vez em que teve uma erecção, a última vez em que dançou, em que abraçou e levantou uma mulher no ar, a última vez em que alguém lhe deu um aperto de mão e isso não fez estalar os ossos e a última vez em que se penteou sem que o cabelo se acumulasse no pente, a última vez em que dormiu uma noite inteira sem sentir qualquer dor, qualquer incómodo físico, em que simplesmente dormiu; e enquanto pensa em tudo isso olha para o chão, seguindo os avanços insistentes e resolutos de um par de formigas. E é quando observa as formigas que se lembra, inesperadamente, do dia em que atirou uma caixa de preservativos para o lixo porque teve a certeza absoluta que nunca mais iria precisar deles. Sabe – mas quer esquecer – que o corpo, na verdade, só é verdadeiramente sentido e percepcionado, só é verdadeiramente consciencializado, em dois momentos antagónicos: na dor e no prazer. Para além disso, o corpo de nada serve, é apenas cenário; envelhecer será pouco mais do que um processo lento e inexorável de diminuição dos momentos em que o corpo proporciona prazer e aumento dos momentos em que proporciona dor; a lenta e irreversível transformação de corpo em dor.
Tenta distrair-se, esquecer os preservativos desnecessários. E olha em frente porque só daí poderá chegar verdadeira distracção; vê a gente do costume desfilar, sempre apressada e absorta, triste e cansada logo pela manhã; tem um pensamento inesperado, algo absurdo, que o entretém enquanto repara na infinidade de tons de cinzento com que se pode descolorir a roupa: de toda aquela gente talvez seja ele que esteja mais próximo da morte mas quem sabe se não será, afinal, ele o que está mais vivo; porque as pessoas parecem tão anestesiadas pelas preocupações e pelas necessidades, pela angústia de ter e ser e parecer, que talvez nem estejam verdadeiramente vivas. Mas logo depois percebe que este é apenas mais um pensamento invejoso e rancoroso, uma idiotice. E ele sabe que também nisto funciona a lei das compensações, tal como nos risos: por cada capacidade que se perde, adquire-se um pensamento rancoroso. Morrer é, também, uma espécie de rancor definitivo: perdeu-se tudo, ficou apenas um ressentimento absoluto e permanente.
Os minutos vão passando e a mulher não aparece. A velhice é um estado triste não apenas porque o corpo vai avariando mas também porque a fronteira entre bom senso e insanidade vai tornando-se muito ténue; e se lhe tivesse dado para comprar uma caixa de preservativos, em vez do maço de cigarros? Sorri com a parvoíce da ideia, e sabe-lhe bem sorrir. Seria estranho andar por aí com uma caixa de preservativos no bolso; e se lhe desse um ataque no meio da rua? Os tipos da ambulância iriam fartar-se de rir quando encontrassem a embalagem intacta, novinha; talvez até ficassem com ela, e se assim fosse nem tudo se perderia. Vai observando as folhas amareladas caídas no chão, para se distrair das pessoas que passam, também para tentar recordar quando foi a última vez que o seu corpo foi fonte de prazer. São bonitas, as folhas; quase apetece apanhá-las e guardá-las num livro, uma a uma, cuidadosamente, como antes faziam as raparigas que gostavam de poemas. Mas apesar da beleza das folhas o distrair um pouco, a pergunta que lhe baila pela cabeça é esta: porque se apaixonam as pessoas? É uma triste pergunta para um velho fazer a si próprio. Contudo, é a pergunta que não o abandona, desde que aquela mulher desconhecida se desviou do seu caminho para lhe sorrir e pedir um cigarro. Ele não tinha o cigarro e sorrira tarde de mais; perdera uma oportunidade e, agora, pensava em questões absurdas, que é o que sempre faz quem perde oportunidades.
Entretanto, o tempo vai avançando; há agora menos pessoas a passarem, as folhas continuam a cair das árvores por motivo nenhum, além dos óbvios: serem arrastadas pelo vento e pisadas por alguém, uma e outra vez. Pessoas que pisam folhas de árvore, pensa o velho, são pessoas desatentas e desdenhosas, indiferentes à beleza, à delicadeza, à efemeridade; é como se pisassem a própria essência da vida. É também por isso que, antes, as raparigas guardavam as folhas em cadernos: era como se estivessem a guardar pedaços de vida ou, pelo menos, símbolos de vida. Continua a olhar para as folhas mas não por motivos filosóficos, cansou-se de filosofias ainda antes de deixar de fumar; olha, simplesmente, porque receia espreitar as pessoas que passam, receia reconhecer entre elas a mulher e perceber que ela não vai parar para lhe falar, que não vai sequer olhar. Sabe que é isso que irá acontecer, que irá ser irremediavelmente devolvido ao seu destino de cenário; ainda assim, apetece-lhe acreditar que não. Apetece-lhe fantasiar, que é algo que os velhos também se vão desabituando de fazer, porque a fantasia é uma forma de sonho e os velhos têm medo de sonhar, sabem melhor do que ninguém que sonhar pode ser muito perigoso. Desabituou-se mas não esqueceu por completo como se faz; e por isso fantasia, rodeado por folhas amarelas e pelo vazio da natureza. Se ela vier, a primeira coisa que perguntará será o seu nome. Sempre resultara, noutros tempos; perguntar o nome e sorrir logo de seguida ou mesmo em simultâneo, não poderia esquecer-se de sorrir. E depois de elogiar o nome dela, fosse ele qual fosse, diria: “eu sou o Afonso.”
Chama-se Afonso, o velho. 

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