Como se esperava, veio o dia em que o mundo acabou para os seres humanos. Todos se extinguiram, e o planeta pode finalmente viver em silêncio. Uma consequência evidente do desaparecimentos da humanidade foi o despovoamento das casas; lentamente, todas foram definhando, tornando-se habitadas apenas pelo vazio. Mas o vazio é mau morador, e as casas ansiavam por repovoamento; ansiavam por acolher vida no seu interior; ansiavam por companhia. Foi então que algumas espécies de árvores começaram a nascer dentro das casas desabitadas; e lá floresceram, especialmente as que viviam em casas que optaram por abdicar do tecto para que a luz do sol e a chuva pudessem entrar livremente e alimentar os novos habitantes. Com o tempo, a paisagem passou a estar repleta destas simbioses casa-árvore: modelos perfeitos de adaptabilidade ao outro. Ramos com paredes, paredes com ramos: onde começava a árvore e terminava a casa? Prosperaram as florestas de casas arborizadas; ao longe, os mares observavam. E durante algum tempo, o planeta foi feliz.