O relatório do técnico é claro: "O planeta é dominado por uma espécie execrável. Vão produzindo umas inovações que consideram muito avançadas, mas que na verdade são (do ponto de vista científico) muito infantis; baseando-se na suposta superioridade dessa tecnologia e da sua própria evolução enquanto criaturas auto-conscientes, desconsideram todas as restantes espécies e colocam em risco a sobrevivência do planeta. Mas mesmo entre si têm comportamentos discriminatórios e agressivos não compatíveis com o actual estado civilizacional do universo. Cito apenas um exemplo: há indivíduos desta espécie que violentam os seus semelhantes por não apreciarem o seu local de nascimento. Há milénios que não me deparava com uma espécie tão ostensivamente imbecil, como o referido exemplo comportamental demonstra. Recomendo que não seja feita qualquer aproximação por parte da sociedade das civilizações inter-espaciais e que se permita que esta espécie definhe e se auto-extinga, conduzida pela sua arrogante estupidez." O burocrata que analisa este relatório coloca-lhe um carimbo, dando despacho positivo, e sente-se feliz por não ser desses técnicos que têm de explorar territórios tão selvagens e depressivos; arrepia-se ao tomar consciência - uma vez mais - de como ainda há focos de horror espalhados pelo universo. Suspira. Sente que o trabalho se arrasta, que tarda em chegar a hora de encerrar a repartição. Suspira de novo. Talvez saia mais cedo, precisa de comprar mais tinta para o carimbo.