O escritor divaga sobre a importância de encontrar um sentido para a vida. Fala de forma apaixonada e convicta, completamente seguro do que diz. A audiência escuta com atenção, aderindo ao que ouve não tanto pela excelência dos argumentos mas mais pela convicção e dramatismo com que são expostos. Até que a mulher mais bonita da audiência interrompe para explicar que não concorda: «Dizer que há um sentido para a vida é absurdo. Existe é a possibilidade de vislumbrar um sentido para determinado momento da vida. Mas para este momento em particular, que estamos aqui a viver em conjunto, não consigo encontrar qualquer sentido. Tenho de o procurar noutro lado qualquer.» E sai. O escritor fica incomodado, não tanto pela discordância pública em relação aos seus argumentos, mas por ter sido contrariado pela mulher mais bonita da audiência, que estava a tentar impressionar desde o primeiro momento.