Viviam juntos desde sempre. E o cão já o conhecia tão bem que conseguia antecipar os seus movimentos e acções. Dizia com frequência aos vizinhos: conhece-me melhor do que me conheço a mim próprio. Por isso, foi com naturalidade que passou a confiar inteiramente no cão com quem vivia desde sempre quando o seu estado de demência evoluiu e se tornou grave. Por exemplo: levantava-se e, após dar cinco passos, esquecia-se do que pretendia fazer, de qual o destino, de qual o objectivo; então, bastava-lhe seguir o cão e ver até onde ele o conduziria. O cão sabia, o cão sabia sempre.