Ideias registadas em cadernos e que ainda não serviram para nada (LXXIII)

O avô dá um abraço à neta. Quando o faz, não pensa no futuro, nem em mais nada. Os abraços são isso mesmo: uma suspensão do pensamento. Se tivesse sido um abraço defeituoso, daqueles que não chegam a suspender nada, talvez pudesse ter sentido que aquele poderia ser o penúltimo abraço da sua vida. Não o último; o penúltimo, ou talvez o antepenúltimo. Mas foi um bom abraço. Igual ao primeiro. Infinito: como o tempo.