Quando ia para dentro (sempre após o terceiro aviso da mãe), deixava os brinquedos espalhados pelo quintal. Não fazia sentido arrumá-los porque no dia seguinte iria prosseguir a brincadeira, como se não tivesse ocorrido um intervalo. Dizia a si próprio: amanhã brinco mais. E ia tomar banho. Continuou a dizê-lo todos os dias, mesmo depois da mãe ter deixado de o chamar, mesmo depois de já não viver naquela casa, mesmo depois da sua idade ter triplicado ou quintuplicado. Amanhã brinco mais.